domingo, 23 de outubro de 2016

A fé merece a justificação

Agostinho diz no livro das Refutações que ele se enganou durante certo tempo acreditando que o início da fé está em nós mas a consumação nos é dada por Deus: erro de que se retrata. Ora, parece pertencer ao erro de que se retrata esse ‘ a fé merece a justificação’. Se porém supusermos, como exige a verdade da fé, que Deus nos dá o início dela, então o ato de fé já resulta da primeira graça, e portanto não pode merecê-la. Por conseguinte, o homem é justificado pela fé não porque crendo mereça a justificação, mas porque, sendo justificado, crê; pois o ato de fé é necessário para a justificação do ímpio [...]

Suma Teológica. I-II, Q. 114, a.5, ad.1.

sábado, 27 de agosto de 2016

Erros concernentes à noção da Tradição e da Verdade Católica

Uma noção errônea da Santa Tradição como conjunto de ensinamentos graças ao qual a Igreja "no curso dos séculos tende sempre para a plenitude da verdade divina (ad plenitudinem divinae veritatis iugiter tendit), até que as palavras de Deus recebam nelas sua consumação" (Dei Verbum 8). Como se a Tradição que guarda o depósito da Fé desde o tempo da pregação dos Apóstolos não possuísse já a plenitude da verdade divina! Como se pudesse haver alguma coisa para aí acrescentar ou alguma coisa para modificar.

A incrível afirmação, contrária ao senso comum como a toda tradição, afirmação segundo a qual a Igreja deve ser submetida a uma "reforma permanente" (vocatur a Christo ad hanc perennem reformationem qua ipsa... perpetuo indiget), reforma que deve implicar também "na maneira de enunciar a doutrina, que é preciso distinguir com cuidado do depósito da fé (qui ab ipso deposito fidei sedulo distingui debet) (Unitatis Redintegratio 6; cf. igualmente Gaudium et Spes 62). Esse princípio já tinha sido proclamado nas versões em língua vulgar da Alocução inaugural de João XXIII de 11 de Outubro de 1962 e mais tarde retomada textualmente por este Papa. Mas isso já fora condenado por São Pio X (Pascendi, 1907 §11, c; Lamentabili, 1907, 63 e 64, DZ 2064-5 / 3464-5) e por Pio XII (Humani Generis 1950, AAS 1950 565-566)

Fonte: Sinopse dos erros imputados ao Concílio Vaticano II, FSSPX.

domingo, 24 de julho de 2016

O Magistério não infalível deve ser julgado à luz da Tradição

Comentário:
Reivindica-se por parte dos Papas do CVII a obediência ao Magistério vivo da Igreja, mas poucos fiéis atentam-se que o Magistério (regra próxima de fé) deve estar submetido à Tradição (regra remota de fé). Questão essa que uma encíclica como a Mortalium Animus de Pio XI, que advertia sobre o ecumenismo, tem grande grau de certeza.

Sumário:
Todo e qualquer católico sempre soube que o magistério é regra próxima da fé e a tradição remota; razão por que, embora o magistério infalível seja regra absoluta, o magistério não infalível é regra relativa submetida à regra absoluta da infalível tradição. Se hoje se impôs o magistério conciliar em notória oposição à tradição, tal não se deve tanto ao liberalismo dos últimos Papas, até porque nem sempre os houve santos, mas antes à obsequência clerical dos católicos modernos. O magistério conciliar deve ser posto em discussão sem nenhum escrúpulo.

I. A doutrina transmitida por magistério ordinário universal e as definições dogmáticas de magistério extraordinário explicitam infalivelmente o depósito revelado e constituem a substância da tradição. O magistério vivo da Hierarquia em todas as épocas é regra próxima de fé para os católicos, mas regra sempre submetida à regra remota da tradição, da qual nunca pode afastar-se. Por isso, antes de definirem a infalibilidade do magistério ex cátedra do Romano Pontífice, os Padres do Concílio Vaticano I esclarecem: ”Não foi prometido aos sucessores de Pedro o Espírito Santo para que por revelação sua manifestassem uma nova doutrina, mas para que, com sua assistência, santamente custodiassem e fielmente expusessem a revelação transmitida pelos Apóstolos ou depósito da fé” (Conc. Vat. I, const. dogm. Pastor Aeternus,18 de julho de1870).

Daí que, quando a Hierarquia define uma doutrina em exercício de seu magistério infalível, este se impõe como regra absoluta da fé; mas o exercício autêntico do Magistério, como não é infalível, é regra relativa, sempre submetida e dependente da regra remota da Tradição. Daí que, quando Pio XII diz: ”tampouco se deve pensar que não exige de per si assentimento que é exposto nas encíclicas”, acrescente em seguida: ”no mais das vezes, o que nas encíclicas é proposto e inculcado já pertence por outros ângulos à doutrina católica” (Pio XII, Humani Generis, DS 3885); porque o grau de assentimento dos fiéis em matéria não infalível depende do grau de apoio que esta matéria tenha na tradição.

II. Assim como São Paulo resistiu publicamente a São Pedro quando este atentou contra o que ele mesmo tinha definido no Primeiro Concílio de Jerusalém (cf. Gál.,II), assim também, na cristandade antiga e medieval, nenhum bispo nem Papa podia atentar contra a doutrina tradicional sem que imediatamente se opusessem a eles e os reprovassem publicamente os fiéis católicos. Mas a “pouca fé” (Luc., XII,28) da cristandade moderna deixou com o clero o monopólio da ortodoxia, chegando a ter uma atitude tão passiva diante da doutrina, que o magistério conciliar pôde ensinar o perfeito contrário da magistério imediatamente anterior sem que ninguém pensasse em queixar-se. Não se deve buscar em complicadas consequências do espírito liberal a causa pela qual o magistério ordinário conciliar ensina tantos erros, mas simplesmente no fato de ele não ser exercido num meio zeloso da tradição, como sucedia com o magistério ordinário tradicional. A obsequência dos católicos pré-conciliares diante da tirania clerical não era católica: o magistério conciliar é preciso resistir “in faciem”, como fez São Paulo diante de São Pedro e como sempre fizeram os católicos diante de qualquer atentado das autoridades à tradição.

A Candeia Debaixo Do Alqueire, pp. 105-106.


domingo, 10 de julho de 2016

A infalibilidade comum dos fiéis

O chamado “ sacerdócio comum dos fiéis” da Lumen Gentium não distingue a hierarquia dos fiéis, defende, em contrapartida, e segundo a tese protestante, que TODA a Igreja é confiado o deposito da fé. O Espírito Santo não assiste somente os carismas do magistério, mas a todos suscitando o sensus fidei ( senso sobrenatural da fé)
“ A totalidade dos fiéis, que tem a unção do Santo, não pode equivocar-se quando crê, e manifesta essa prerrogativa peculiar sua mediante o senso sobrenatural da fé de todo o povo, quando os Bispos até os últimos leigos prestam consentimento universal nas coisas e nos costumes".( Lumen Gentium, n.12)

Em síntese – ver o gráfico abaixo- para a doutrina católica o poder de ensinar com infalibilidade é comunicada por Cristo primeiramente e imediatamente ao Papa, é participada ativamente pelos bispos e é passivamente por toda a Igreja. Segundo a doutrina liberal, em contrapartida, a Hierarquia tem apenas o serviço de unir a expressão de fé do Povo de Deus.








                                       Excerto de A Candeia do Alqueire, Pe Calderón

quarta-feira, 16 de março de 2016

Um herege tem fé?

É próprio de o herege fazer um exame livre da Bíblia, desse modo conhece a passagem do Anjo à Maria sem saber o real significado, ou seja, admite algo pelo próprio julgamento, como o chamamos de opinião ou fé humana. A Fé é um hábito intelectual- alcança as verdades primeiras- que por sua vez adere pela vontade e movido pela graça. Pois bem, esta fé o católico alcança por meio da Igreja, pois ela é a regra da verdade primeira. Portanto, assim como pelo um pecado mortal perde a caridade, conforme disse S. Tiago: “Quem vier a faltar num só de seus preceitos torna-se réu de todos”( Tg 2,10),  assim também aquele que descrê de modo pertinaz num artigo de fé proposto pela Igreja torna-se herege, o que indica que não tem a Fé.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A fé pela caridade

800. (...) Na justificação é infundido no homem por Jesus Cristo, a quem está unido, ao mesmo tempo, tudo isto: fé , esperança e caridade. Porque a fé nem une perfeitamente com Cristo, nem faz membro vivo de seu corpo, senão se lhe juntarem a esperança e a caridade. Daí a razão de se dizer com toda a verdade: a fé sem obras é morta (Tg 2, 17 ss) e ociosa [can.19]; e em Jesus Cristo nem a circuncisão nem o prepúcio valem coisa alguma, mas a fé que obra pela caridade (Gl 5, 6; 6,15). (Concílio Ecumênico de Trento)


O Concílio cita de são Tiago que “a  fé sem obras é morta”. Há de distinguir-se então uma fé informe e outra formada. A primeira é uma fé morta, pois assim também é a vida do animal sem sua forma, a alma; a segunda é uma a fé que obra pela caridade, pois a caridade está para a fé, assim como a forma está para a matéria; ou seja,  a caridade é a forma da fé. Pela caridade a alma é ordenada ao sumo bem, Deus; já uma alma em pecado mortal , embora tendo fé (fé informe), não produz atos virtuosos, o que se conclue que a união perfeita com Cristo se deve a fé, esperança e a caridade.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O celibato católico

Há quem diga que a Igreja católica impôs o celibato por apenas uma mera sanção legal, senão que por uma razão mais excelente, razão essa dita pelos próprios lábios de Nosso Senhor Jesus Cristo:

10. Pareceram aos discípulos muito pesados os vínculos e encargos do matrimônio, que manifestara o divino Mestre, e disseram-lhe: "Se tal é a condição do homem a respeito de sua mulher, não convém casar" (Mt 19, 10). Respondeu-lhes Jesus Cristo que nem todos compreendem tal linguagem, mas só aqueles a quem isso é concedido, porque, se alguns são de nascença ou pela violência e malícia dos homens incapazes de se casar, outros há pelo contrário que por espontânea vontade se abstêm do matrimônio "por amor do reino dos céus"; e conclui dizendo: "Quem pode compreender, compreenda" (Mt 19, 11-12).



11. Com essas palavras o divino Mestre não trata dos impedimentos físicos do casamento, mas da resolução livre e voluntária de quem, para sempre, renuncia às núpcias e aos prazeres da carne. Pois, ao comparar os que fazem renúncia espontânea com aqueles que se vêem impedidos ou pela natureza ou pela violência dos homens, não é verdade que o divino Redentor nos ensina que a castidade, para ser perfeita, deve ser perpétua? (Encíclica  Sacra Vitginitas. Papa Pio XII)

domingo, 31 de janeiro de 2016

A palavra de Deus



(...) A semente é a palavra de Deus. Os que estão ao longo do caminho, são aqueles  que a ouvem; mas depois vem o demônio e tira a palavra do seu coração para que não se salvem crendo. (Lc 8, 12)



Guardemos a palavra de Deus em bom terreno. Peçamos-lhe a perseverança na fé cristã. Se a guardarmos com vontade fraca, logo esqueceremos. O demônio tenta-nos a fim de levar-nos a ruína. É lastimável  quando um cristão não possui critérios entre as virtudes e os vícios e, pior ainda , quando é levado para as seitas. Guardemos, insista-se, a nossa fé em raízes.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Crise da Fé

Se a fé é um hábito intelectual, todos têm a capacidade de aprender as verdades primeiras. A razão do declínio do catolicismo deve-se bastante nisso: já não se ensina a Fé. O atual catecismo é muito débil , não o está amparado sob rochas firmes (a Tradição da Igreja). Infelizmente o que se vê é uma fé sentimental, tal que se crepita no coração ao ponto de levar aos êxtases. Ora, não é próprio do sentir saber o que se crê.



Os artigos de fé estão expostos para conhecermos a ciência de Deus, o que nem antes os filósofos gregos tiveram, e depois da vinda de Cristo, uma simples velhinha a alcançou.

sábado, 23 de janeiro de 2016

A parábola dos trabalhadores da última hora


“O reino dos céus é semelhante a um pai de família que, ao romper da manhã, saiu a contratar operários para a sua vinha. E, tendo ajustado com os operários um denário por dia, mandou-os para a sua vinha”. (Mt 20, 1-2)

Como essa vida é miserável, um vale de lágrimas, e, ainda assim, amamo-la do que qualquer outro bem. Santo Agostinho ressalta que no céu cada um receberá um prêmio conforme seu zelo nos bens futuros.

Santo Agostinho, de sancta virginitate, 26


Dá a todos um denário, a recompensa de todos, porque será igualmente dada a mesma vida eterna. Haverá na vida eterna, na casa do Pai, muitas moradas e ressaltará nelas, de um modo diferente, o brilho dos méritos de cada um. O denário, que é o mesmo para todos, significa que todos viverão no céu, porém, a diferença de mansões, o que indica a glória distinta dos santos.